quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Nunca Mandeville esteve tão errado


Nunca Mandeville esteve tão errado. Não foi o vício do Chile que o fez avançar, foram as suas virtudes. Não foi o medo, foi a solidariedade. Não foi a opressão, foi a igualdade. E não foi Pinochet, foi Allende.

11 de Setembro de 1973. As Forças Armadas Chilenas, comandadas por Augusto Pinochet, tomam de assalto o Governo democrática e livremente eleito, três anos antes, de Salvador Allende. 


Allende consegiu o que mais ninguém conseguiu. Declarando-se assumidamente Socialista, foi pela força do voto e não pela vontade da arma que chegou ao poder. Após assumir o poder, lançou inúmeros planos de nacionalizações e de desenvolvimento do sistema educativo e de saúde, a reforma agrária, várias obras públicas, programas de distribuição de alimentos e de atribuição de subsídios aos mais carenciados, e aumentou os salários. A inflação desceu bastante, os salários e o poder de compra dos chilenos subiram. De 23%, o indice de pobreza desceu para 12%, em 3 anos. A iliteracia desceu de 12% em 1970 para 10,8% em 1972. Em dois anos, 12% de crescimento industrial, 8,6% de crescimento do PIB, e 3,8% de desemprego. Mas depois, Nixon mandou a “economia gritar”. Um ataque vil à economia Chilena levou à inflação vertiginosa da sua moeda. Através do apoio financeiro a grupos de direita e de extrema-direita, lançou o caos social. Tentou, sem sucesso, que diversos chefes militares tomassem o poder através de um Golpe de Estado. Inclusive tiveram mão no assassinato, em 1972, de Rene Schneider, Chefe das Forças Armadas Chilenas, um constitucionalista que não aceitou as pressões dos EUA. Curiosamente, foi no Golpe de Estado que teve sucesso que os EUA não tiveram acção nem directa nem indirecta.
 

Em pouco tempo, Augusto Pinochet conseguiu destruir todas as conquistas sociais do Chile e semeou um terror e uma opressão sem precedentes. Em cinco anos, já metade dos Chilenos era pobre. Em 17 anos, 1200 desaparecidos, 40 mil presos políticos, torturados e encarcerados, 3000 mortes. E isto são os números que se sabem...  
A via de Allende não se impunha através do medo e da opressão como a de alguns dos seus pares socialistas. Não achava que era necessário controlar a oposição e reprimir os insurgentes para manter o poder; não acreditava que fosse à força que se tomava o poder. Poderá ser dito que, deste modo, ele não o consegiu manter. Não é totalmente verdade. É que a força dos homens não se vê apenas quando eles empunham uma arma, mas nas suas ideias. Allende tinha muita força, e, se cometeu um erro, foi o de ser solidário, o de acreditar que o progresso é uma condição natural do homem, uma lei da natureza, que a utopia não está assim tão longe. Não creio que tenha cometido um erro. Creio, sim, que há homens que não sabem o seu lugar na história, cujo seu dogmatismo cego não semeia o progresso, mas o medo, e que o segundo não é um pré-requisito para o primeiro.

Allende estava no lado da democracia, da liberdade, da justiça, da solidariedade. Estava no lado e ao lado do povo. Allende esteve e está no lado certo da história.

João Silva
3º ano, Licenciatura em Ciência Política


O artigo publicado é da exclusiva responsabilidade do seu autor.

domingo, 14 de julho de 2013

Paulo Guevara Portas: as memórias de um revolucionário

Quem me conhece sabe que sempre depositei grande confiança na figura de Paulo Portas. Achava que o rumo para um Portugal melhor passava por esta personificação da antiga direita, da direita culta e moralista.

Porém num curto espaço de tempo tudo mudou. 


Hoje em dia não consigo deixar de me sentir enganado. Tal como a amante que todos os dias espera que o amado deixe a mulher, também eu esperei que Paulo Portas abandonasse o politiquês em nome de Portugal, que a sua sobrevivência e a do seu partido fossem secundaria em prol do bem estar geral do pais. Porém, outros valores mais altos se levantaram e a história (como sempre) repetiu-se.

O processo foi ridículo. Gaspar despede-se às custas de técnicalidades insignificantes. Portas, que num misto de insegurança pelo novo clima criada e vendo à sua frente as portas do paraíso governamental abertas pela saída de uma das figuras fulcrais, aproveita para entrar da forma mais berrante e teatral possível.

O primeiro passo era obvio: arranjar uma desculpa idiotica que pegasse no publico, no CDS e em meia dúzia de comentadores ainda mais idioticos que a desculpa por ele referida. E é aí que entra em cena Maria Luísa Albuquerque (que estranhamente, depois de todas as negociações, permanece ainda no governo; será por causa de um finca-pé do PSD ou porque simplesmente já não tinha utilidade pratica no show de burlesco criado por Portas?) que rapidamente serve de fachada para o plano que agora se encontra em rumo.

Cria-se a instabilidade na bolsa e no publico (algo ajudado por Gaspar), afaga-se o ego da esquerda (para reparar em tal facto vejam as declarações megalómanas de Jerónimo de Sousa sobre a possível queda do pais ser resultado da eterna "luta" do PCP) e já temos uma crise política. Agora espera-se a queda do fruto já maduro nas mãos de Portas.

Porém, Passos, um passo a frente, não cede nem faz caso da jogada centrista.

Passo dois: como o passo um não foi lucrativo o suficiente é necessário sacrificar-se peões centristas. Entra então em cena Assunção Cristas e Mota Soares. Nesta altura o palco político português já parece uma peça shakspereana, morte, intriga, romance? (já que todos podemos especular, também quero poder mandar as minhas larachas sobre um possível romance entre Portas e Ferreira Leite ou com Pacheco Pereira, só para dar mais profundidade ao enredo). Ninguém se salva, nem mesmo os competentes, como é o caso dos ministros anteriormente referidos.

 
Passos não pode recuar mais e o publico vira-se para Cavaco, que como uma mãe que vê o filho partir para a guerra, observa incapaz o seu projecto político (um presidente, um partido e um primeiro ministro) que tantas desavenças já lhe tinha causado no passado (não tenho de relembrar os conflitos com José Sócrates) lentamente desvanecer numa bruma de governos de salvação e de eleições antecipadas.


Passo três: Com congressos nacionais convocados, uma crise política instalada e um Primeiro-Ministro encostado às cordas, está na altura de emergir reluzente das ruínas pelo mesmo causadas e mostrar-se disposto a negociar em prol da "estabilidade política do pais, ou, por outras palavras, mais poder, mais pastas e mais ministros, também eles com mais poder.
 
A jogada de Paulo Portas foi (para quem aprecia uma boa jogada política) de uma eficiência e de um pragmatismo tal que quase merece ser referida em qualquer edição de "A arte da Guerra" de Sun Tzu ou, quiçá, substituir o prefacio Napoleónico do "Príncipe" de Maquiavel.

Porém, num esforço estóico para elevar o papel do CDS dentro da lógica governamental e o seu próprio valor dentro da coligação, Portas esqueceu-se do ponto principal da vida política portuguesa. O povo português pode ser dos povos que menos ligam a política, mas é dos povos que mais claramente distinguem o certo do errado. Para o povo Português os fins nunca justificaram os meios e o que Portas fez, independente de qualquer que seja o resultado, foi errado e uma cobardia, e o eleitor tem noção disso.


De momento, para este Governo e para os seus apoiantes, cada dia deve ser vivido como o ultimo, pois nada está garantido. Mas, tal como Che Guevara, as acções de Portas deitaram por terra qualquer possibilidade de um novo Governo de direita num futuro que já por si parecia sombrio o suficiente.

"Errare humanum est", já diziam os antigos, mas também é dito que a definição de loucura é "fazer sempre a mesma acção esperando um resultado diferente". Quantas mais vezes teremos de ver governos de direita cair por culpa de Portas até chegarmos a conclusão que já não são simples erros mas sim loucura?



Luis Sousa
1º ano, Ciência Política


O artigo publicado é da exclusiva responsabilidade do seu autor.

terça-feira, 9 de julho de 2013

O Aluno exemplar que nem nota para Recurso tem.



A crua realidade é que este artigo poderia ser uma espécie de biografia de diversos alunos universitários. O aluno que se esforça ao longo de vários semestres, que vai a todas as aulas, que fica no final das lições a fazer perguntas aos seus mestres, enfim, o discente que até recorre a diversas tranches de ajudas externas para passar na prova final… Mas nunca acaba por ser suficiente. Este aluno chama-se Portugal!

Portugal entrou para a escolinha Europeia em 1986. Tinha tudo para progredir, crescer, fazer-se num homem de barba rija. Seria a ponte marítima para mercados riquíssimos, a euforia era constante, a motivação imensa, a inteligência escassa. Décadas passaram, e a exigência do ensino começou a aumentar. A capacidade de absorção tornou-se diminuta nalguns casos, e oportunidades escorriam entre os dedos. Tivemos tudo para aproveitar, mas ficámos apenas com uma mão cheia de nada.

Reajo então, com um certo espanto, às mais recentes notícias que indicam que o nosso modesto país é o modelo exemplar de boa aplicação e gestão das medidas implantadas pelo FMI e pela Troika.

È claro o motivo que leva a esta distinção. Comemos e calamos. Surgem directizes que tornam premente o aumento dos impostos, e como boa gente que somos, imediatamente é isso que fazemos, não vá parecer mal aos olhos dos chefões. Deus nos livre!

A juntar ao acima descrito, surgem cortes numa segurança social cada vez mais debilitada, deixando milhares na miséria e outros tantos sem rumo para dar às suas vidas. Será isso mau? Longe disso, ponham os olhos em nós, aqui temos sempre bolinha verde no comportamento.

Deitemos para baixo do tapete um povo em crescente desagrado, manifestado cada vez mais pelas diversas demonstrações populares que tentam fazer chegar aos ouvidos dos nossos competentes dirigentes as dificuldades que se fazem sentir, o que importa aqui é o factor económico e financeiro.

Basicamente somos um relatório final de estágio onde a capa e a apresentação são belíssimas, mas cujo conteúdo é comparável ao de um artigo realizado por um aluno do 1º ciclo.

È clara a posição desta europa. O bem-estar social e dignidade humana são coisas de segundo plano, o que nos põe a comida na mesa no final do mês são juros da dívida menores, e não o investimento na criação de novos empregos.

O genial no meio desta mixórdia toda, é que mesmo seguindo todos os protocolos, todas as exigências e todas as medidas austeras, continuamos num poço sem fundo. Lutamos e trabalhamos arduamente ao longo de anos e acabamos por  ter de lamber botas para passarmos à rasca para o ciclo seguinte de medidas que aí vem. O povo? Esse que se lixe, se já aguentou até agora bem que pode aguentar mais um bocado.

É este o retrato subjectivo deste nosso país, lutamos, trabalhamos e damos o suor e as lágrimas para parecer bem aos olhos dos poderosos, mas acabamos por chumbar com uma mísera negativa que nos perspectiva um futuro ainda mais negro, mas sempre exemplar!
 

Tiago Gonçalves
2º ano, Ciência Política


O artigo publicado é da exclusiva responsabilidade do seu autor.



segunda-feira, 1 de julho de 2013

SWAP MAGIC

Hoje os caciques choram a perda de um líder, enquanto uns ingénuos festejam a queda de Vítor Gaspar. Eu, por mais repugnação que sinta pelo Vitor Gaspar, não vou festejar. 

Embora odeie caciques, quem me chateia mais são os ingénuos. Desde a queda do Estado Novo até ás ultimas legislativas tivemos quatorze governos (sem contar com as duas brincadeiras de Ramalho Eanes, os governos de iniciativa presidencial), e em praticamente todas elas houve remodelações e demissões. Agora remeto o leitor para uma análise política destas remodelações/demissões e pergunto: alguma vez a política dum governo mudou com caras novas? Claro que não, e isto até as crianças por nascer já sabem.

O importante é mudar a política, não as caras. As pessoas são as representantes da agenda ideológica do governo, e não é a sua imagem que muda a intensidade da sua agressão ao povo. Esta política só acaba quando todo o governo for derrubado (só por precaução, e sabendo que vou perder muitos "likes" com este aparte: eu não sou do PS e, para mim, este é igual ao PSD).

Para colmatar esta perda o governo fez um "swap" de Vitor Gaspar com Maria Luis Albuquerque. Para os desconhecedores, esta senhora é, até amanhã, Sec. de Estado do Tesouro, e ficou conhecida recentemente por ter participado nos contratos ruinosos das "swap", no que diz respeito a ela, à REFER. Apesar de não gostar do João Semedo ele proferiu a melhor frase que poderia ser dita para esta senhora: "é a primeira pessoa que, antes de ocupar a pasta das finanças, já tinha condições para ser demitida".

O background desta senhora conseguiu levar-me aos meus tempos de criança. Os leitores que ainda jogaram Playstation 2 são capazes de se lembrar do sistema que permitia jogar jogos gravados, chamado "Swap Magic". Este sistema tem uma coisa em comum com o historial desta senhora e sua "swap" com Vítor Gaspar: é lixo e acabava sempre por estragar a Playstation. Infelizmente receio o mesmo destino para o país.



Pedro Aires
2º ano, Ciência Política



O artigo publicado é da exclusiva responsabilidade do seu autor.

domingo, 23 de junho de 2013

Turquia: o fim da Democracia?


Depois de décadas em que a religião foi reprimida, a Turquia tornou-se no regime mais republicano e laico dos países muçulmanos. A sua história fala por si: Mustafa Kemal Ataturk aboliu o califado, laicizou o governo e a educação, deu direitos civis às mulheres (1934), procedeu a uma "ocidentalização" do direito, do vestuário, dos hábitos, resumindo, das tradições da sociedade turca. Mas a sua ligação aos modelos ocidentais não termina aqui. Membro das Nações Unidas e do Conselho da Europa, bem como da OTAN, e da OCDE, esta República expressou o seu desejo de adesão à União Europeia.


O país aproximava-se, a passos lentos, mas voluntários, das nossas sociedades, apesar da sua diversidade cultural, maioritariamente islâmica. Parecia conciliar a democracia com a religião do Islão, servindo de exemplo para outros país do mundo islâmico.

Mas essa conciliação exemplar parece ter ruído. A sociedade está a dar sinais francos de polarização e de intolerância, e Erdogan tornou-se no principal polarizador. Muito popular na Turquia rural e do interior, entre as pessoas com níveis mais baixos de educação, mais conservadoras e mais religiosas, este não representa o "outro lado" da sociedade turca.

É de salientar que o Parque Gezi, reflexo da falta de processos de decisão democrática, é apenas a "árvore que esconde a floresta". O que começou por ser um protesto de natureza ecológica, transformou-se, rapidamente, num movimento político de massas que traduz o problema da Turquia: a falta de democracia.


O erro de Erdogan foi pensar que podia esconder essa falha com recurso à repressão. Mas enganou-se, a força não resolve nada. A reação da polícia, acusada de "uso excessivo da força", e a do próprio primeiro-ministro, personagem principal do autoritarismo crescente, só conseguiram exaltar os ânimos. O Governo turco conseguiu calar os médias, desincentivando, e multando as televisões nacionais por transmitirem as imagens dos protestos, controlar as redes sociais, usar a força contra os seus opositores, em certos casos persegui-los, prendê-los, calá-los, mas não conseguiu derrubá-los. Se o fim da Democracia não chegou, foi porque o povo manisfestante não deixou.


Pondo em causa vários princípios democráticos, Erdogan aumentou o seu leque de opositores, pessoas de todas as classes sociais a nível interno, países como a França e a Alemanha, a nível externo. E até algumas hesitações provenientes do seu próprio partido. Mas opositores, afinal, todos nós temos. O que nos distingue, é a forma como lidamos com eles.


Sara Nogueira
1º ano, Ciência Política


O artigo publicado é da exclusiva responsabilidade do seu autor.

sábado, 22 de junho de 2013

Manifestações são coisa de pobre… (ou não)!


O gigante acordou. Milhares de brasileiros saíram à rua lutando por um sistema melhor - contra o aumento do preço dos transportes públicos e ainda contra os 15 mil milhões de dólares dos contribuintes destinados à Copa das Confederações de 2014.

Mas estes valentes não se ficam por aqui, também denunciam a corrupção enraizada na política brasileira e exigem maiores e melhores investimentos na educação, na saúde e na segurança.

Sem medos e dispostos a aceitar as consequências, milhares de pessoas fazem-se ouvir, a uma só voz proclamam aquilo a que chamo o “Grito do Ipiranga 2.0”.

Os seus atos já tiveram consequências. As cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Campo Grande já começaram a dar ouvidos aos manifestantes e preparam-se para baixar o preço dos transportes públicos. Seguindo estes passos estão as cidades de  Porto Alegre, Cuiabá, Recife e João Pessoa.

Na Turquia, aquilo que começou por ser um protesto pacífico contra os planos de remodelação da emblemática Praça Taksim, em Istambul, no último dia de Maio transformou-se num protesto diário contra o Governo de Recep Tayyip Erdogan. O protesto “ já não é só por causa de árvores, é sobre a pressão exercida por este Governo. Estamos fartos, não gostamos da direção que este país está a tomar", disse Mert Burge, um estudante de 18 anos, à Reuters.

Em Portugal,…bem em Portugal tudo vai bem com ajuda da nossa Europa solidária, as medidas de austeridade para 2012 e 2013 visam reforçar os esforços de consolidação orçamental da economia portuguesa. No leque de medidas temos o congelamento do indexante de apoios sociais e a suspensão da aplicação das regras de indexação de pensões. A contribuição especial, aplicável a todas as pensões (com impactos semelhantes à redução dos salários na Administração Pública), com cortes em todas as que sejam superiores a 1500 euros; a redução dos custos com medicamentos e subsistemas públicos de saúde, e o aprofundamento da racionalização da rede escolar.

Em suma, tudo isto para dizer que por cá tudo vai bem. Por cá estamos todos tranquilos à espera que o Verão apareça, e com sorte, ainda aparece alguma promoção que nos deixe ir ao Algarve com os últimos 100 euros que temos. Estamos cada vez mais ricos, temos uma classe política cada vez melhor e o interesse nacional é a meta de todos nós. Aliás os brasileiros fazem manifestações contra os gastos do mundial, os portugueses gritam que são os maiores e colocam bandeiras às janelas. E porquê? Porque o que o povo quer é pão e circo, desde que haja o Splash da SIC, o Big Brother da TVI, as promoções do Pingo Doce, produtos do polegar no Jumbo e cupões de desconto na BP, estamos bem. Enquanto houver dinheiro para a bica no café do bairro e para pagar a assinatura da Sport TV, estamos todos bem!

Manifestações é coisa de gente pobre, manifestações são para gente desordeira, manifestações são para comunas. No geral nós gostamos de nos manifestar em casa, ou manifestamo-nos através da abstenção, aliás esse nosso protesto tem dado imensos resultados, conseguimos impactar a Europa e quiçá o mundo.

É este pensamento, tipicamente português, que me revolta a ideia de que manifestações são para gente comunista, gente pobre, gente que não gosta de trabalhar, porque se gostassem estavam no centro de emprego e não na Baixa-Chiado feitos macacos aos gritos. As manifestações são para jovens radicais, não esquecendo que toda a manifestação é motivo para no final se beber uma mini geladinha e acompanhar com um prego no pão!

O que eu gostava de viver num país como o Brasil ou como a Turquia. O que eu gostava que o povo português, enchesse o peito de ar e fosse para a rua lutar, lutar por algo melhor, lutar contra o que é cómodo. Que o povo saísse da sua zona de conforto e como um só, fizéssemos estremecer as ruas do nosso querido país, de Norte a Sul.

As manifestações não são feitas somente no Facebook, não são feitas no café do Senhor António. As manifestações não têm que espelhar uma ideologia politica, têm que espelhar um povo, um povo forte, unido e coeso, um povo como o povo português era e é.

Infelizmente, por cá o Gigante ainda não acordou! Eu espero, sinceramente, que um dia acordemos e possamos ir todos para a rua: novos, velhos, conservadores, progressistas, comunistas, socialistas, sociais-democratas, todos! 

 Rute Sousa
3º ano, Ciência Política

O artigo publicado é da exclusiva responsabilidade do seu autor.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Da falta de Educação



Nos últimos tempos tenho ouvido ataques cerrados aos professores que, dizem, utilizam os seus alunos como “escudos”. Curiosamente, quem disfere tais ataques, são os mesmos que se estão pouco nas tintas para os alunos, preocupados apenas com os cortes orgásmicos nas suas tabelas de Excel.

Nessa sua hipocrisia de defensores dos estudantes, e julgando-se paladinos da verdade, julgam que as greves só são permitidas quando o Governo não usa a sua camisola politico-partidária. Os mesmos que há uns anos exortavam e apelavam à contestação, se fosse essa a vontade popular.

E qual é hoje a defesa dos alunos com que hoje nos presenteiam? Será que quando se aumenta o número de alunos por turma, é defesa dos alunos? Quando se despedem (ou requalificam, como preferirem) milhares e milhares de professores, é defesa dos alunos? Quando se corta em apoios e recursos educativos, é defesa dos alunos? Aumentar carga horária é defesa dos alunos?

Os professores estão em greve para combater tudo isso. Baixar os braços e não se manifestar é pactuar com a destruição da escola pública e deixar o Governo seguir incólume. Ninguém está a lutar por privilégios, mas sim por melhores condições laborais. Quem luta por essas melhores condições, luta por uma melhor Educação e, consequentemente, luta por melhores condições para os alunos. Se essa luta tem de ser feita em dia de exame, que o seja;  é o resultado do obscurantismo e a falta de respeito com que o Governo tratou deste processo.
A integridade nestes dias não se distingue entre quem faz e quem não faz greve. Conheço professores bastante íntegros que apesar de formalmente fazerem greve, estarão presentes nos dias dos exames com os seus alunos. Como se nada fosse.

Estou solidário. Principalmente com aqueles professores que tantas esperanças depositaram neste Governo e neste Ministro da Educação, e que agora mostram fibra e coragem intelectual para admitir que as suas crenças mais justificadas carecem, mais que nunca, de fundamento.

A esses e a todos os outros, o meu mais sincero obrigado por me defenderem a mim e às gerações mais novas que a minha. Quem defende mais e melhor Educação, defende um país inteiro.



João Martins
1º Ano, Ciência Política