quinta-feira, 11 de abril de 2013

Orgulhosamente só



Na passada semana o Governo sofreu um grande revés, um golpe por parte do Tribunal Constitucional do qual o Executivo fez questão de se vitimizar através da figura de Passos Coelho. Esta decisão não aparenta ser abonatória para o Executivo, mas até que o é. No meio de tanta austeridade provocada de forma desmedida pelo mesmo, agora, Passos Coelho, já tem um bode expiatório onde pôr as culpas quando lhe for apontado que cortou de forma excessiva em determinada área. Segundo o que consta, o Governo decidiu que a Segurança Social, a Saúde e a Educação, ainda não tinham sido alvo de cortes suficientes e irá insistir.

Ainda não percebi bem a linha de raciocínio do Governo PSD/CDS, mas à luz dos factos, pretende acabar com a população com mais de 67 anos que teima em não morrer e tirar os jovens das escolas, pois não lhes garante apoios para estudar ou pagar propinas, obrigando-os a trabalhar… mas esperem lá, também não há trabalho!‼ Porque este executivo conseguiu empurrar Portugal para um abismo de cerca de 19% de desemprego. Depressa assumiremos o formato de uma pirâmide etária jovem característica de países subdesenvolvidos, categoria que, verdade seja dita, já estivemos mais longe de pertencer.

6733 Milhões de euros é o valor reservado para a Educação segundo o Orçamento de Estado de 2013, cerca de 4% do PIB. Sendo já por si um mísero valor, irá com certeza ver-se reduzido. É certo e sabido que a educação é o garante do desenvolvimento dos países e das pessoas, sendo um projecto a médio/longo prazo. Deveria ser por isso mesmo uma das prioridades do Governo, mas este não quer tomar consciência de que a falta de investimento no sector, bem como a falta de desenvolvimento tecnológico, associados aos sucessivos cortes, empurram alunos sem habilitações para o mercado de trabalho, condenados a uma vida de miséria e dependentes do Estado Social. Só quem não sabe fazer contas de somar é que não consegue perceber que isto se torna numa espiral recessiva, levando à degradação e destruturação do país.

De cerca de 10 milhões de habitantes, apenas cerca de 35% têm o ensino secundário completo, comparado com 73.4% da média europeia. Como membros da UE comprometemo-nos a baixar o nível de abandono escolar para cerca de 10%, mas actualmente, e segundo a leitura que o Governo nos obriga a fazer, fruto da sua postura política, esse valor continuará a ser apenas uma miragem. “Reconhece-se indispensável que todos os portugueses possuam o mínimo de formação que lhes dê capacidade para as lutas da vida, em que não hão-de ser parasitas nem escravos, mas úteis a eles mesmos e à colectividade: o que pressupõe e torna legítimo impor a todos a aquisição de um grau elementar de cultura, como é preceito constitucional”. A postura política assumida pelo nosso Executivo, assemelha-se com o “mínimo de formação” defendida pelo Dr. Salazar. Nós já tínhamos virado a página rumo ao progresso mas a má gestão pública e as elites políticas remeteram-nos para o retrocesso chefiado pelo nosso Governo que permanece “orgulhosamente só”.


André Rosa
1º ano, Ciência Política


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