domingo, 7 de abril de 2013

Salomé e o C.D.S



Das peças de teatro já existentes poucas me marcaram como “Salomé”, a tragédia bíblica escrita pelo poeta, dramaturgo e prosador Oscar Wilde, em 1891.

A peça retrata o desejo de um relacionamento amoroso entre a infame Salomé e Jokanaan (João Baptista), o profeta endoidecido. Conta ainda com a presença da rainha Herodia e de Herodes, que se casam após Herodia matar o seu primeiro marido, o irmão de Herodes.

O enredo geral é simples: uma princesa apaixona-se por um homem que não pode ter, um poeta moralista e endoidecido, com uma retórica reminiscente do passado negro desta casa real. Um rei apaixonado pela filha da mulher, que se recusa a ceder aos desejos da mesma para matar Jokanaan, mesmo que esta veja a morte como  a única solução para poder estar com o seu amado. Um entrelaçar de relações amorosas, mortes e dilemas éticos, à boa maneira das tragédias clássicas.

O mais surpreendente desta peça é que no momento no qual nos encontramos vemos (algo que só acontece milenarmente) a realidade a produzir, atuar e dirigir a obra.

É assim que, no palco politico português, se encontram todos os atores:

Salomé é representada pelo C.D.S, cujo maior desejo é um beijo do profeta, uma pasta, uma passagem de mão por seus cabelos, uma maior participação na tomada de decisões, uma passagem de mão pelo corpo do amado.

O papel de Jokanaan recai sobre Passos Coelho, o profeta moralista, intransigente nas suas decisões e no rumo por si tomado, que, com duras palavras, recusa o afeto da princesa, e quando tentado, apenas responde a “uma pergunta sem resposta…É uma reserva do primeiro-ministro, o primeiro-ministro nunca deverá fazer considerações públicas sobre se tem, ou não, ideias para remodelar.”, enquanto deambula num discurso bíblico-ideológico sobre a conspurcação da casa real, do estado-social, das mixórdias amorosas, dos gastos excessivos dos passados governos socialistas.

O papel do infame rei Herodes encontra-se preparado para António José Seguro, um rei que se encontra numa constante batalha interior, entre ceder aos desejos da mulher e da esquerda e executar o profeta, ou permanecer inalterado na sua vivência, não sofrendo o castigo divino de governar.

E, por fim, o papel de Herodia está guardado para o P.C.P e para o Bloco de Esquerda, que tanto dormem com um e executam Sócrates, ou dormem com o outro e exercem pressão sobre Herodes e sobre o P.S, tentando executar Passos, esperando que o governo socialista faça uma viragem à esquerda.

Mais importante que os atores propriamente ditos é o decorrer da peça. Salomé, louca de amor pelo profeta, tenta Herodes (com um governo de coligação, quem sabe?) para que este execute o Jokaanan, pois prefere tê-lo morto a não o ter de todo. Herodes, na sua raiva, manda que a sua guarda avançada (o povo, neste caso) mate Salomé, espezinhando-a até a morte em resultados eleitorais após ter executado o profeta com moções de censura, passagens pelo Tribunal Constitucional e, por fim, nas urnas, mas perde o seu grande amor. Herodias permanece intacta, mas não ascende no seu papel de personagem de fundo, de grupo de pressão sem possibilidade de governar.

A peça já está escrita e os atores já se encontram em palco, agora vejamos se sobem ou não as cortinas.


                                              Luís Francisco Sousa
1º ano, Ciência Política

O artigo publicado é da exclusiva responsabilidade do seu autor.

2 comentários:

  1. Respostas
    1. Luis Francisco Sousa7 de abril de 2013 às 23:59

      Obrigado, é sempre agradavel receber uma critica positiva.

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